
O primeiro “CD” da banda DR. LAW, intitulado apenas DR.LAW, foi uma ousadia nesses tempos de pirataria, ainda mais feito de forma totalmente independente.
Fundada em 1998 pelo cantor, compositor e guitarrista carioca, Marcio Cardoso, a banda DR. LAW surgiu com a proposta de fazer um som sem rótulos, atingindo a vários públicos. Saiba mais sobre a banda na entrevista abaixo:
BDG: O Dr Law surgiu em 98, mas só foi engrenar em 2007. Que rolou nesse intervalo de tempo e quais fatores foram decisivos para que a banda aparecesse de fato após quase 10 anos de formação?
Dr. Law: Na Verdade, a idéia de criar a banda surgiu em 98, com uma formação completamente diferente, que não durou muito e o projeto ficou meio que arquivado . Quando eu (Márcio Cardoso) me mudei pra Região dos Lagos comecei a tocar com várias pessoas e me identifiquei muito com o o som e as idéias do baixista Flávio Melo e nós resolvemos tocar o projeto pra frente. Peregrinamos com vários bateristas e tecladistas até encontrar o Léo Muniz (baterista) que estava disposto a tocar o trabalho pra frente conosco e a jovialidade de Léo Aguiar (tecladista). Na verdade o fator primordial pro surgimento da banda chama-se comprometimento.
BDG: Márcio, o que a banda ganhou com essa nova formação que não tinha quando surgiu em 98?
Dr. Law: Uma sonoridade bem diferente e mais moderna, na verdade tentamos explorar as influências de cada um e o resultado nos agradou bastante.
BDG: O primeiro cd foi lançado no final de 2008. Qual a sensação de ter o cd em mãos? Deixando de lado a questão financeira, inimiga mortal das bandas independentes, quais foram as dificuldades encontradas para que esse dia chegasse?
Dr. Law: A sensação foi de dever cumprido, com todas as dificuldades que encontramos no caminho, foi muito bom ver o trabalho pronto nas nossas mãos . Inicialmente o disco iria sair por um selo, o que facilitaria todo o processo de liberação das músicas que não eram nossas, e que tinham sido sugeridas pelo produtor contando com esse facilitador. Quando decidimos que o CD ia ser independente tivemos que colocar a mão na massa e lidar com toda a burocracia para liberar as músicas, cuidar de arte da capa e outros detalhes assim. Porém as dificuldades foram válidas, pois acompanhamos do processo desde o começo até o fim fez com que o CD ficasse do jeito que nós queríamos, sem intervenções externas. O que para um artista é a grande realização. E no final das contas, quanto mais suado, mais gostoso. E o resultado foi mais do que esperado, pois no dia do lançamento (20.12.08 em Cabo Frio) ouvir 8.000 pessoas cantando algumas de nossas músicas que já estão tocando nas rádios da região, como foi o caso das músicas A CARTA, LARGUE MÃO E GIRASSÓIS foi uma sensação realmente de dever cumprindo, de que valeu a pena todo o esforço e agora vem a segunda parte que é propagar a nossa música.
BDG: Com a dificuldade de vender cd´s hoje, acreditam que ainda vale a pena lançar esse material ou consideram o cd como um cartão de visita da banda?
Dr. Law: Hoje em dia tem-se muito a visão do CD como o cartao de visita, mas nós achamos que na verdade apesar da mídia CD estar ultrapassada, você está construindo sua obra, sua história. Não importa a mídia, no passado era o LP, O K7, atualmente o CD e algum tipo de propagação novo vai surgir ,mas o álbum como registro tem de existir .
BDG: O álbum de estréia do Dr Law vem falando de quê? Vocês têm alguma fonte de inspiração recorrente para compor?
Dr. Law: O álbum fala de assuntos variados : cotidiano, questões existenciais,e algumas canções são bem autobiográficas.
Nem todas as músicas são de nossa autoria, mas sentimos uma conexão muito grande entre todas as canções que gravamos, as nossas , as regravações e as inéditas de outros autores.
BDG: A faixa “A Carta” é “endereçada” a alguém especial?
Dr. Law: A música ” A carta ” é de composição do produtor do nosso disco André Kostta. Quando ele nos apresentou a música contou a história de que era uma música que fala desse lance do músico sair de casa pra aventurar a carreira, e a estrada é isso. É muito gostoso, mas volta e meia bate aquela saudade de casa.
BDG: Márcio, você esteve em Los Angeles e teve contato com Frank Gambale e Steve Morse. Existe uma forma de descrever a sensação de conhecer estes “monstros” da guitarra?
Dr. Law: O que mais me marcou com relação a esse encontro, foi a humildade que eles passam . O Gambale conversa com você e parece um velho amigo que quer marcar pra fazer um som . O Steve Morse então, nem se fala . Pessoas de extrema simplicidade . Tive oportunidade de vê-lo tocar a 1 metro de distância, foi uma aula de guitarra e de comportamento pro resto da vida. Vou parafresear o Alex Lifeson do Rush quando conheceu o Jimmi Page do Led Zeppelin que era seu ídolo:” Você conhece seu herói e ele se comporta como um herói!”
BDG: Nesse novo contexto da indústria fonográfica, como vocês vêem o papel de sites como o BDG, que são vitrines das bandas indepedentes?
Dr. Law: A internet democratizou o espaço para todos . O BDG por exemplo nos deu uma grande visibilidade, proporcionou feedback de pessoas que assistiram show nossos. Tem recados no mural até em outras línguas!!! (risos). Além disso a possibilidade de concentrar em um único lugar, músicas, agenda, fotos e outros materiais é genial. É muito importante que todos tenham esse espaço de divulgação e de conexão direta com o público .Se pararmos pra pensar no passado, quantos talentos nasceram e terminaram no anonimato por falta de uma ferramenta tão democrática?
Confira o som da banda aqui:
bandasdegaragem.com.br/drlaw
Por: Bruno Collaço
bruno.collaco@bandasdegaragem.com.br









